Ano XII - Clique aqui e saiba QUEM SOMOS Itápolis, 18 de Abril de 2014 Fone/Fax: (16) 3263-1122

Massarani. Bom de bico com muitos talentos

 

Distribuindo Bênçãos Papais a autoridades dos os poderes  constituídos há anos, Emanuel von Laurenstein Massarani, 78, na verdade, segundo descoberta de servidores da Assembleia Legislativa de São Paulo, ele falsificava as tais bênçãos em uma gráfica de São Paulo. Sempre se apresentando como Embaixador e sendo tratado à altura de seu cargo, porém, sem nunca ter sido. Quando questionado sobre seu título, dizia que era, pasmem; “Embaixador de Itápolis”, onde ajudou a promover ações de intercâmbio cultural com a Itália. Lembram do Gemellaggio entre Pomezia e Itápolis em 2006?

Circulava tranquilamente, sempre com gravata borboleta e crucifixo na lapela, há, pelo menos, 8 anos pela corte do poder, particularmente, na Assembleia Legislativa, onde gozou sempre de amplas regalias, inclusive, com gabinete próprio, assessores e contando com carro oficial à sua disposição, sem sequer, ser servidor da Casa. Foi nomeado chefe da Superintendência do Patrimônio Cultural da Assembleia em 2005.

Apesar do cargo, ele não tem vínculo empregatício nem figura na lista de servidores do Legislativo. Seu posto é honorífico, dando-lhe direito a regalias, mas não a salário. Oficialmente, a função de Massarani é promover exposições e organizar o acervo de arte da Assembleia. Extra-oficialmente, ele usa a estrutura do Legislativo para tocar os negócios de uma organização particular a qual preside, o IPH (Instituto de Recuperação do Patrimônio Histórico). O instituto classifica projetos culturais como de interesse nacional, ajudando a captar verbas de patrocínio que podem abater Imposto de Renda.

Paralelo a tudo, Massarani repassava Bênçãos Papais àqueles que notam hoje haverem pago um tremendo mico, entre eles, o presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Barros Munhoz (PSDB-SP) que, no momento solene da entrega da bênção, fez pose para foto em 2009. Ele acreditava estar recebendo uma bênção do então Papa Bento 16, trazida do Vaticano especialmente para ele.

Em Roma, apenas um arcebispo tem permissão para assinar pergaminhos com a bênção apostólica do papa como a que o tucano recebeu.

E o arcebispo cuja assinatura aparece na bênção de Barros Munhoz, datada de 15 de março de 2009, já havia se aposentado e sido substituído dois anos antes, em julho de 2007.

Sob o título “Itália visita Itápolis” a Folha de Itápolis saudou em sua edição de 26 de agosto de 2006, em caderno especial, a chegada da delegação de Pomezia que veio assinar o Acordo de Fraternidade, mais conhecido por Gemellaggio, entre as duas cidades. Na ocasião, Massarani atuou como diplomata, fazendo as honras do Brasil à Itália.

Uma simpática acolhida foi reservada à delegação italiana por parte das autoridades do executivo e do legislativo municipal, dos clubes de serviços, de empresários e do setor da educação e de cultura.

Com a instalação pro­visória da Galeria de Arte Itália Brasil nas imediações da sede da Prefeitura Mu­nicipal, Emanuel von Lauenstein Massarani ministrou o lançamento das bases para a criação efetiva de um Museu de Arte Contemporânea em Itápolis.

Bom de bico

Massarani, uma pessoa que, não podemos negar, de fanfarrão do momento, apesar seu extenso currículo, tem um forte traço de esperteza e é, indiscutivelmente, um tremendo bom de bico. No meio de tanta sujeira que assistimos na política, nos dá até uma coceirinha nas mãos com vontade de aplaudi-lo.

Massarani é apenas uma mostra de quantos casos idênticos temos por este Brasil afora, pois, entre tantos aproveitadores que entra com o aval do voto, têm também os que tiram sua casquinha ou até vivem uma vida toda sob o ‘talento’ de seu “papo dez”.

É sim uma situação cômica, porém lá ia ele usufruindo das benesses do poder com pompas falsas, bem debaixo do nariz das autoridades, se apresentando, inclusive, em Itápolis, onde se apresentou como Diplomata e não podemos negar, fez um ótimo trabalho.

Funções diplomáticas

Em sua defesa, Emanuel Von Lauenstein Massarani afirma ser um critico de arte, jornalista, escritor, historiador, museólogo e diplomata; ocupou diversos cargos públicos no Brasil e inúmeras funções diplomáticas no exterior junto a embaixadas e missões, tendo participado de 1966 à 1979 de diversas conferências Inter­nacionais das Nações Unidas, UNESCO, BIT, OMPI, Comitê dos Refugiados, Comitê Interna­cional do Desarmamento Nuclear, entre outras.

Exerceu as funções de Subchefe do Gabinete Civil do Presidente Jânio Quadros,(1961); Subsecretário de Estado da Cultura na gestão do Governador Paulo Maluf (1980 a 1982); Secretário Municipal do Patrimônio Históri­co na Gestão do Prefeito Jânio Quadros, (1985 a 1988); e Se­cretário de Recuperação de Bens Culturais do Estado de São Paulo nas gestões dos Governadores Mario Covas e Geraldo Alckmin, (1997 a 2002).

Atualmente é Superinten­dente do Patrimônio Cultural da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. É fundador e atual Presidente do Instituto de Recupe­ração do Patrimônio Histórico no Estado de São Paulo, Organização Social de Interesse Público Federal, reconhecida também pelo Governo do Estado de São Paulo.